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segunda-feira, dezembro 06, 2010

A crise de pânico

Em primeiro lugar eu preciso começar escrevendo que sei muito bem que o que eu vou contar não faz muito sentido. Que se eu parar para pensar, eu deveria deixar de bobeira e sair na rua. Mas saúde mental nunca foi mesmo meu forte. 

Acontece que hoje de manhã eu tinha consulta no médico as 11h. Acordei logo depois que I. saiu para trabalhar, tomei banho e me arrumei. 

Deixei o apartamento, desci de elevador e abri a porta do prédio. Saí, escorreguei, me segurei para não cair e meu coração disparou. Entrei de volta no hall, para recuperar o ar. Tentei de novo, e simplesmente não consegui passar da porta. Comecei a suar frio, o coração parecia que ia sair pela boca e percebi que tremia, mas não era de frio. Era medo. Medo de sair, de cair, de me machucar, e mais do que tudo isso, de machucar meu bebê. Não sei quanto tempo fiquei ali parada com a mão na porta, tentando me convencer a sair. Me disse mil vezes o quão absurda era aquela situação. E aí percebi que aquilo não era só medo. Era pânico e eu mal conseguia me mexer. Fiquei com mais medo ainda ao me dar conta de que não mandava mais no meu corpo. 

Nisso o telefone toca. Demorei tanto para conseguir pegá-lo no bolso que parou de tocar. Reconheci o número como sendo o do consultório. Liguei de volta e o próprio médico atendeu, querendo desmarcar a consulta. Ao falar com ele, não consegui me conter e caí no choro. Expliquei onde estava e o que estava acontecendo. Não sei quanto tempo durou a ligação mas acho que ele passou um bom tempo tentando me acalmar e me dizendo que estava tudo bem. Que ia ficar tudo bem. Que eu não precisava sair se não conseguisse. 

Ele ficou no telefone comigo até que eu conseguisse pegar o elevador de volta e entrasse no apartamento. Me disse para ficar em casa, até quarta pelo menos. Que me daria um atestado, que ficaria tudo bem. Que estava tudo bem. 

Obviamente não está tudo bem. Se estivesse tudo bem eu teria ido ao trabalho, normalmente. Com mais cuidado, sem dúvida, mas como praticamente todo mundo fez hoje pela manhã. Mas não, estou aqui, ainda chorona e sem nem querer cogitar a possibilidade de sair lá fora sozinha.

Com medo, e com mais medo ainda de sentir esse medo todo.

N.

7 comentários:

Renata disse...

Passando pra dizer um oi... Continuo acompanhando suas aventuras. Um beijo, pra vc e pro babóg. Vai ficar tudo bem, vc parece ser o mesmo tipo de pessoa que eu. Aquelas pessoas para as quais as coisas são tão difíceis... Não passo por nada com tranqüilidade, é sempre com suor sangue e lágrimas. E não venha me falar que sou uma drama queen, o que acontece é que sinto (sentimos) com mais intensidade que os outros...

cintia disse...

Nivea, gente, que situacao. So posso realmente imaginar o panico que voce sentiu... Nao deixe ninguem falar que eh bobagem ou nada demais. Voce sente o que sente e medo eh mais que natural. Boa sorte!

Mi. disse...

Ni, vou te falar uma coisa.. ano passado eu fui voltar pra casa do trabalho e nao conseguia parar em pe no gelo, e comecou a me dar uma medo irracional de andar.. tive que ir pra casa, mas fui o caminho todo CHORANDO, e depois fiquei 3 dias sem ir trabalhar, ate me sentir segura o suficiente pra sair... A gente reage em extremos quando a situacao e nova...

Tenta ir aos pouquinhos.. chamar um taxi pra ir pro trabalho um dia, passear no jardim no outro.. e nao pensa tanto no assunto.. Espero que as coisas fiquem mais faceis logo! Beijo pra vc e pro babog!

Blog da Pandinha disse...

Ni, suas sensibilidades são muitas: vc está grávida, gerando uma vida dentro de vc, e só isso TUDO já dá uma tremenda instabilidade emocional. Vc está em outro país, longe da sua família, longe dos seus elos. Vem o inverno, teve a consulta da semana passada, enfim, é muita informação. Fica tranquila, não exite em pedir socorro. Me add no skype se quiser e conversamos. Afinal, na minha família somos experts em falta de saúde mental! Beijo no coração e na barriga!

cesarbardo disse...

É a mágica biológica da proteção! =D É bonito se a gente olhar pra isso desse ângulo! E eu gosto desses ângulos romantizantes! =)

E trate de usar melhores galochas! =D

Nivea Sorensen disse...

Meninas e menino,
Obrigada pelos recadinhos fofos. Tô tão sensível que eles até me fizeram chorar.
Beijos em todos,
N.

Mr. Lemos disse...

Caramba. Só estou voltando aos blogs agora e vejo esse post justamente hoje, o pior dos dias para andar na rua. Que situação, querida! Acho que vc tem todos os motivos pra estar assim. Até eu, que não tenho nada além de cerveja na barriga, tô com medo (de verdade) de caminhar nas calçadas...
Boa sorte e muito cuidado.
Ah, vc já pensou em usar aquelas varas de esqui? Várias pessoas estão usando esses dias...
bjos