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quinta-feira, março 25, 2010

A polêmica do canhão

Pelo menos 4 notícias, vistas ou lidas, hoje pela manhã me chamaram a atenção, negativamente. Ou melhor, me irritaram, em menor ou maior grau. Coincidentemente são todas da rede globo. 

Do site globo.com: Ivete Sangalo pede justiça para o caso Nardoni. Quem quer saber o que a Ivete Sangalo pensa? Tá bom, vai, muitas pessoas devem querer. Mas ainda acho que para falar o óbvio, melhor calar-se. 

Do mesmo site, ou de todos os outros de notícias praticamente: Bush se limpa em Clinton em gafe no Haiti. Essa não merece nem comentários, porque, como eu disse anteriormente, para falar o óbvio, melhor calar-se.

Do "Bom dia Brasil", entrevista com Ronaldo: "Tenho as costa quente (...) meninos de vinte ano", e provavelmente mais alguns "ss" comidos ao longo de 3 minutos de entrevista. Mas essa discussão entre modelos de comportamento e educação no Brasil levaria pelo menos 5 posts. 

Também do mesmo telejornal: Paraguai quer que Brasil devolva canhão de gerra.

Não é sobre as três primeiras que eu quero escrever, pelo menos não agora. Mas a quarta me passou boa parte da manhã na cabeça. A notícia nem foi novidade,  já tinha lido a respeito há alguns dias atrás, mas foi outro fato que me chamou a atenção. Então vamos ao início.

Entre 1864 e 1870 o Paraguai esteve em guerra, sozinho, contra Brasil, Argentina e Uruguai. Ele mesmo iniciou o conflito, mas as causas agora não vêm ao caso.

A chamada "tríplice aliança" venceu a guerra e o Brasil voltou para casa com um troféu. Um canhão. O mesmo canhão, considerado responsável pelo fato do Paraguai ter conseguido manter as tropas brasileiras distantes, por pelo menos dois anos (segundo historiadores). Chamado de "El Cristiano" (O Cristão), porque foi construido com o metal derretido retirado das igrejas de Assunção (o que mostra, em parte, o despreparo militar do Paraguai), o troféu de guerra se encontra hoje no Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro. 

No início do mês, durante um discurso comemorativo aos 140 anos do final da guerra, o vice presidente paraguaio, Federico Franco, pediu que o canhão fosse devolvido. E que assim se iniciasse o processo de "cicatrização do povo paraguaio", usando suas próprias palavras.

O presidente Lula já tinha concordado em aceitar o pedido. Ao menos foi isso que eu havia lido anteriormente, e que me pareceu ser a decisão mais acertada. Aliás, decisão que precisa ser dele, já que o canhão faz parte de um acervo tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional.

O que me chamou a atenção é que, segundo reportagem do jornal, historiadores e técnicos do museu discordam do presidente, alegando que mandar o canhão de volta seria uma "afronta" a memória de quem lutou na guerra. Aí aparece um historiador (Milton Teixeira), dizendo que nenhum país devolve seus troféus de guerra, que muitos brasileiros morreram para que o canhão se calasse e virasse peça de museu, e que o sangue deles o mantêm lá. Parece que se esqueceu de que há sangue paraguaio envolvido na questão. E quanto sangue.

Para nós então o troféu representa uma gerra vencida e cerca de 50.000 mortos no conflito (e que merecem sim, serem lembrados), num total de 150.000 que combateram.  Mas para o Paraguai.... Se brasileiros morreram, eles, no entanto, sofreram muito mais. Acredita-se que o país tenha perdido 90% de sua população vítimas da guerra. Em parte porque o Brasil se recusou a encerrar o conflito quando vencera, mas insistiu em continuar até que Solano Lopes estivesse morto. Sobraram basicamente só idosos, mulheres e crianças. Perderam parte de seu territorio e hegemonia. E consequentemente, seguem até hoje como um dos países mais atrasados da América do Sul, famoso pela produção de "muamba". Nunca foram capazes de se recuperar. 

Será que faz sentido celebrar a derrota que causou tantos danos a um país hoje considerado "amigo"? Devolvam o canhão e deixem que eles curem suas feridas.

N

2 comentários:

diretodedublin disse...

Valeu por ter entrado em contato! Seu endereço já está adicionado ao meu blogroll.

Quando ao tema do post, fico na dúvida sobre quanto o tal canhão vale para Brasil e Paraguai. Símbolo de vitória para um e de resistência para outro.

Deveria ser derretido. Assim, apagaria uma mancha na história entre ambas nações e frearia esta nova e iminente briga.

Abraços!

Bruno Honorato disse...

Olá!

Gostaria de parabenizá-la pelo blog e agradecer pelo link!

Chego em Dublin dia 06/04!

abraços!