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quinta-feira, outubro 21, 2010

Confesso

Eu. Inédito. Sem reservas. Sem vergonha. Sem orgulho. Em quinze coisas que ninguém, ou quase ninguém sabe.
  • Desde que fiquei grávida, antes de mesmo de saber,  passei a dormir com a companhia de uma abelha de pelúcia. Igual essa da foto aí de cima, mas amarela e não rosa (como se isso fosse salvar minha dignidade).
  • O dia mais feliz da minha vida, não foi o dia do meu casamento. Foi o dia que eu vi o Paul McCartney ao vivo (O dia em que eu ganhei um Beatle de Natal).
  • Um dia qualquer da semana passada, fui ao Tesco comprar leite. Ao voltar pra casa percebi que estava com o rosto todo sujo de Nutella.
  • Há algumas semanas atrás almocei todos os dias (todos sem uma exeção, nenhuma) no McDonald’s. Sempre um McFish, que aqui nem chama McFish (o que não vem ao caso, mas eu acho um nome fantástico para um lanche do McDonald’s que é feito de peixe).
  • Vou almoçar hoje no McDonald's. Adivinha o quê?
  • Eu comeria todos os dias no McDonald's. Feliz da vida.
  • Eu faço manha (e drama) com I. para conseguir o que eu quero. E o que eu quero é quase sempre só atenção. E já fazia isso antes, bem antes, da gravidez.
  • Eu não perco o X-Factor. Posso até sair de casa no sábado à noite (e no domingo), mas tenho que gravar o programa e assistir assim que chegar em casa. E já que é para por o pé na jaca, eu assisto também America’s Next Top Model, Britain’s Next Top Model, Australia’s Next Top Model, Canada’s Next Top Model e assistiria todos os outros da série se eles fosem exibidos pela TV irlandesa.
  • Eu choro todas as vezes que ouço Fake Plastic Trees, no carro, no ônibus, no pub, no supermercado, andando na rua. Não consigo evitar.
  • Eu não tenho paciencia para deixar o saquinho de chá lá boiando pelo tempo recomendado.
  • Eu sinto um pouquinho de pena de quem não assitiu Inception, ou não gostou não entendeu o filme. Ou quem não acha que é a coisa mais fantástica já produzida pelo cinema.
  • Eu odeio falar ao telefone. Eu tenho até um pouco de medo de atender o telefone. Eu nem sequer retorno ligaçoes. Às vezes nem mensagens de texto.
  • Eu corrijo o inglês de algumas pessoas. Mentalmente.
  • Eu acho o Wagner Moura um gostoso.
  • Quando pequena eu brincava com escovas de dente. Dava nomes para elas. Fazia o mesmo com os esmaltes.
Pronto, falei.
N.

sexta-feira, outubro 15, 2010

100.000 Nomes




Comprar um livro com nomes de bebês foi uma perda de tempo e dinheiro. Para não dizer que sou eu sempre que tenho más idéias, essa foi de I, depois de que decidimos que precisávamos de outras opções, além das 3 que já tínhamos (1 nome de menino, 2 de menina).

O livro contém sim uma quantidade enorme de sugestões. 40% delas, eu nem sei pronunciar (Chalchiuitl está nessa lista). 30% I. não consegue pronunciar. 20% são tão esdrúxulas que qualquer pai ou mãe que as cogite deveria ser proibido por lei de registrar um filho dessa maneira. Eu sei que gosto não se discute, mas vai me dizer que uma criança não deveria ser poupada de ser chamada de Volupia (do grego "mulher voluptuosa")? Difícil também imaginar um menino chamado Calígula. Coitada da criança.

Enfim, lemos o livro todo e fizemos uma lista cada um para ser comparada. No final das contas voltamos aos mesmo 3 nomes. 

A idéia sempre foi de fosse um nome curto. Por duas razões, uma delas apontada pela minha sogra cujos 3 filhos tem nomes de no máximo 6 letras, de que é muito difícil para uma criança que está sendo alfabetizada escrever um nome muito longo. A segunda, para evitar-se apelidos. Afinal de contas, para que chamar minha filha de Elizabeth, se ela será pra sempre Liz, ou Lizzy, ou no Brasil, Beth. Eu não gosto, I. também não. 

O segundo critério do qual não abrimos mão é de que seja um nome que tanto a minha família, que fala português, quanto a dele que fala inglês, consiga pronunciar perfeitamente. Isso exclui todos os nomes irlandeses, como Cian (para um menino) ou Sinead (para uma menina) que eu tanto gosto, e nomes em inglês ou português também. 

Para ser mais chata, eu quero que não só a pronúncia não seja problema em nenhum dos dois países, mas quero de preferência que o nome não mude muito de um lugar para outro. I, sugeriu Eva. Eu gosto do jeito que é pronunciado em inglês (Iva) mas acho feio em Português, vira outro nome. 

Além da pronúncia em si, existe o problema de que alguns nomes simplesmente não funcionam muito bem quando se troca de país. Eu gosto de Ella. Mas fica meio que a mesma coisa que chamá-la de "She" aqui na Irlanda. I. gosta de Mina. Imagina a gozação caso ela frequente a escola no Brasil (a gente nunca sabe). Emma foi descartado pela mesma razão. 

Para um menino nossas opções nunca foram muitas. Tínhamos escolhido um, Thomas (ou Tomas), que é o nome do pai de I., e segundo nome dele também. Mas na procura de uma segunda opção acabamos por escolher outro e Thomas caiu uma posição no ranking.

A segunda opção para uma menina também já foi por água abaixo. Sofia (ou talvez Sophia). Ainda acho lindo, lindo, mas I. (eu não sou a única chata pra vc ver) cismou que não combina com Sorensen. Sofia Sorensen. O pior é que eu acho mesmo que ele tem razão. Daí que a segunda opção agora, talvez ainda com chances de virar a primeira, é Elena (grafado assim mesmo, sem o H). 

Quanto a nossa primeira opção para uma menina (que eu contrariando TODAS as outras opiniões, acho que é o que eu estou esperando), essa parece estar decidida desde quando eu ainda era menina. Explico. Quando eu era pequena, todas as minhas Barbies tinham algo em comum (além da aparência, claro). Elas todas ganhavam nomes de mulheres que apareciam nas músicas dos Beatles. Vai, me chama de louca, mesmo. Me lembro de todas, Penny, Lucy, Martha, Michelle, Rita. Até a única Barbie morena que eu tive (de vestido evoaçante), de longe a minha preferida (talvez porque ela veio com aquele carro rosa metálico, puro luxo) se chamava Prudence. 

Mas não se assuste, eu não quero nenhum desses nomes para a minha filha. Pra ela eu escolho uma referência muito mais sutil, e que se encaixa perfeitamente em todos os critérios dos Sorensen. Se for uma menina o ser que habita agora a minha barriga, o nome dela é (e sempre foi, eu sempre soube) Julia.

Ah, e se todo o resto do mundo estiver certo, ele se chama Eric (ou Erik), escandinavo para combinar com o sobrenome viking do papai.

N.

p.s. longe de mim achar que eu não posso mudar de opinião assim que ver a carinha dela ou dele. 

quinta-feira, outubro 14, 2010

O bem que um bem faz

"A fragrância sempre permanece na mão de quem oferece flores"
Hadia Bejar



Em outubro do ano passado, ou seja, há um ano atrás eu fiz uma lista com as 101 coisas que eu queria fazer nos próximos 1001 dias (que aliás, precisa ser atualizada, afinal tem coisa lá que eu já fiz e coisa que eu desisti faz tempo, e coisa que, convenhamos. eu vou ser obrigada a desistir).

O item 77, "Fazer uma boa ação, mesmo que muito, muito pequena" continua lá e não foi tachado. Não porque eu tenha desistido desse (eu estava realmente falando da tatuagem), nem muito menos porque eu não tenha tido oportunidade ainda. Shame on me eu não fiz, e pronto.

Felizmente existem pessoas muito melhores do que eu nesse mundo, e na semana passada eu fui vítima de uma delas.

Com uma ação pequenininha, pequenininha, R. (que foi minha aluna na Cultura Inglesa) fez o meu dia. 

Eu já disse aqui, mais de uma vez, que uma das minhas grandes alegrias é abrir a caixa do correio e encontrar correspondência para mim. Daí que melhor do que isso, a cartinha vinha do Brasil. Eu que nunca recebo nadica de nada do Brasil, abri o envelope ali mesmo, no hall do prédio. 

Para minha surpresa, me deparei com vários cartões e respectivos envelopes. Em branco. Todos. Achei que R. tinha me mandado o pacote por engano. Foi quando achei no meio dos cartões uma cartinha explicando a razão da encomenda. 

R. leu aqui mesmo no blog que eu acho linda a relação que os Irlandeses mantém com o hábito de mandar cartões. Daí que resolveu me mandar esses aí de cima, todos feitos por pessoas com deficiências físicas. Foram todos pintados ou com a boca, ou com os pés.

Com a compra dos cartões, R. ajudou a instituição Pintores com a Boca e os Pés que por sua vez ajuda milhares de artistas a viver dignamente da sua arte (não de caridade, mas de trabalho). O bem que ela fez, fez bem também pra mim que fui presenteada com os cartões (e com o carinho e atenção dela ao se lembrar de mim). E vai fazer bem (mesmo que por poucos segundos), espero, as 11 pessoas que receberão os meus cartões (e carinho) em breve. 

O outro cartão, que completa a dúzia,  já está a caminho do Brasil. Faz o caminho diretamente inverso e volta para as mãos de uma das pessoas mais doces que eu já conheci.

R., um beijo direto do meu coração.

N.

quarta-feira, outubro 13, 2010

13 semanas

Hoje completo 13 semanas de gestação, a última do primeiro trimestre, e para comemorar posto as primeiríssimas compras do meu bebê. 

Bodysuits 

"Gingerbread" all in ones 

Fluffy hat 

All in ones and hats 

Booties

Sair as compras pela primeira vez foi muito mais difícil do que eu imaginava. Primeiro, as coisas custam caro. Só nessa mixaria aí que coube numa única sacola, gastei mais de £50. Pois é, libras, não euros. 

Segundo porque tudo tem que ser em tom de nada, já que não sabemos se esperamos um menino ou menina. 

A terceira dificuldade, o tamanho. Acredite, você pode escolher entre petit petit new born, petit new born e newborn. Isso tudo só para recém-nascido, claro. Ainda não cheguei nesse capítulo do meu livro sobre o tamanho que o bebê vai ter ao nascer (mas sei que agora tem o tamanho aproximado do meu dedo mindinho).

A quarta, o que um recém-nascido precisa? Eu não sei. Acho que nunca nem vi um, assim de perto. Fiquei horas na loja pensando se devia comprar mangas curtas, mangas compridas, roupas de frio, de meia estação. Se precisa mesmo de luvas, ou se porque nasce na primavera isso é bobagem.

Prometo que da próxima vez vou procurar me informar antes e só comprar aquilo que, provavelmente, usarei mais. A não ser, claro por itens-lindos-de-morrer que vou comprar sem dó, mas só depois de saber o sexo do indivíduo. 

Mas para isso ainda preciso esperar, pelo menos, mais 4 semanas.

N.

ps. Estou com gripe, e de cama

terça-feira, outubro 12, 2010

O livro da barriga

Desde que eu me conheço por gente, eu escrevo diários. No começo eles eram cadernos normais cujas capas eu montava com recortes de revistas de bandas e atores que eu gostava. Ainda me lembro de um dos primeiros que me acompanhou por anos, com a cara do Michael J. Fox na capa (sim, eu tenho mesmo 32 anos e não nego). Eles ficavam enormes com o tempo, de tanto papel de bala, bombom, ticket de cinema e quinquilharia que eu juntava. E depois iam todos para o lixo nas minhas típicas crises de depressão Feng Shui interno.  

As capas "Caras" que deram lugar as capas normais, com menos cara de adolescente, viraram com o tempo simplesmente um arquivo do Microsoft Word e eventualmente virou esse blog (cujo primeiro post de Abril de 2006 ainda está aqui).

Em Janeiro de 2008, no último dia de férias em Londres descobri uma papelaria muito fofa (a Paperchase que também tem filiais aqui em Dublin) e comprei um caderno, transformado naquele mesmo dia num diário que eu escrevi até o último dia do ano passado. 

O diário sofreu um pequeno acidente causado por leite e nescau, 
mas ainda está intacto. Se clicar na foto dá até pra ler o que eu escrevi naquele dia.

O caderno chegou ao final mas continuo escrevendo (com pouca frequência, é verdade), num outro que D. me trouxe de presente da Alemanha.

Eu disse com pouca frequência, justamente por usar esse espaço online como um diário também. Não existe a intenção de mudar o foco do blog (o meu próprio umbigo, agora literalmente), mas ao mesmo tempo, eu não queria transformá-lo num blog de gravidez (apesar de que esse ainda vai ser o assunto principal por mais alguns meses, não tenho como escapar). 

O problema foi resolvido quando encontrei na Hodges Figgs esse diário:



Ou melhor, eu o vi na contracapa de um outro livro. Eles não tinham disponível na hora então tive que encomendar e esperar dias e dias para comprar. O telefonema da loja veio no dia do meu aniversário então resolvi voltar do trabalho caminhando e dar uma paradinha por lá. 

Aproveitei também e comprei a versão do bebê:


Afinal, não vai ser filho* meu se já não nascer com um diário. ;o)

N.

ps. o fato de eu chamar de filho não quer dizer necessariamente que eu acho que vai ser um menino (contrariando todo mundo). 

ps2. I. também me deu esse livro de aniversário, cheio de informações legais sobre ter um filho aqui na Irlanda, e escrito por um obstetra que trabalha na materninade onde eu vou ter o meu: