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segunda-feira, março 08, 2010

De volta a Dublin

Voltar a postar depois de muito tempo ausente é sempre difícil. Ao invés de ficar recapitulando, escrevendo sobre o último mês (o casamento, os Sorensen em SP, a lua de mel e a despedida), vou simplesmente escrever sobre o presente e tentar escrever todos os dias. Pelo menos enquanto ainda não estou trabalhando. 

Acordei cedo hoje, junto com I. que voltou ao trabalho depois de 4 semanas de férias. Me senti meio perdida, pois a casa ainda está uma bagunça e não sabia ao certo o que fazer. Tomamos café, e depois que I. saiu, aproveitei para olhar as notícias e verificar meu email. Aí saí para minha primeira caminhada em Dublin desde que chegamos na sexta-feira. Ao invés de caminhar pelo canal, como sempre faço, fui ao centro e passei na Dunnes para comprar umas cestas e caixas para começar a me organizar. Na volta, liguei a Globo na internet para servir de trilha sonora enquanto dava um jeito na casa (momento Amélia). Tirei as roupas da máquina e estendi-as pelo quarto. Enchi a máquina novamente. Passei parte das roupas que estavam acumuladas com a viagem. Lavei a louça, limpei o banheiro, tirei o lixo. Tudo sem stress. Depois, almocei e tomei meu banho. Desde então tenho passado o resto da tarde em frente ao computador. Coloquei fotos do casamento no Orkut. Dei minha olhadela em alguns blogs. 

I. deve estar para chegar logo. Vamos jantar e aí decido se tento vencer minha preguiça e ir ao Dundrum fazer compras no mercado e me "presentear" com um casaco novo. O meu, companheiro de tantos invernos europeus, ficou esquecido no armário do apto de A. em SP.

Amanhã quero organizar melhor minha rotina, um pouco de irnoning e unpacking, e também fazer um orçamento e voltar a estudar para o CPE.


Feliz.


N.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Dilema de Noiva Parte II: Dos Rituais

Eu não sei casar. Fui há pouquísimos casamentos em toda a minha vida, grande parte deles quando ainda era criança.

Todos têm me perguntado se estou nervosa. Sim. Simplesmente porque não sei exatamente o que vai acontecer. Não sei direito como me portar, em que hora rezar, ajoelhar, essas coisas todas. Além de não frequentar casamentos fugi da missa há anos atrás.

Na verdade, não sei nem em que lingua falar, já que o casamento vai ser bilingue. Ontem fui a igreja levar o comprovante de pagamento final (custo da brincadeira, SÓ a Igreja, R$ 1.000,00, pagos pela minha mãe), e mais uma folha de papel com os dados de dois dos padrinhos. Tinham que ser homens, não me pergunte o porquê. Aproveitei, e perguntei se poderia agendar um horário para conversar com o padre sobre isso. Fui informada que ele estava na casa paroquial e que eu poderia ir até lá (nos fundos da igreja). Ele me atendeu, mas apressado, não me deu muita atenção. Só disse novamente que o casamento vai ser bilingue e que eu devo repetir o que ele disser, quando solicitada, na lingua em que ele disser! Tudo bem, então. Me fez repetir os ritos em inglês ( I accept you, bla, bla, bla...) e vim pra casa me perguntado "e se o inglês dele não for bom e me fizer repetir alguma coisa errada??" É pecado eu corrigir o padre?

N

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Dilema de Noiva Parte I: Walking down the aisle

Eu nunca gostei de ser o centro das atenções. Algumas pessoas acham que isso é timidez, sendo o tímido justamente aquele que acha que todos os olhares estão sempre sobre ele. Não me importo com as teorias e nem acho que isso seja problema ou que tenha me impedido de viver do jeito que eu bem quis. Me fez, ao contrário, até bem, já que tive muitas vez que aprender a conviver com o medo de falar em público.

A primeira vez foi em 1998, na faculdade. Estudava História mas não queria ser professora. Como o curso era de licenciatura e bacharelado, eu queria mesmo era me tornar Historiadora. No entanto, não consegui me livrar das matérias pedagógicas, dentre elas a de Práticas de Ensino. Todos os alunos deveriam então, dar a sua aula, como se o resto da sala, incluindo o professor, fossem seus alunos. Eu que sempre fui muito boa aluna, e sabia tudo o que fazer na teoria, na prática percebi que não conseguiria fazê-lo. Bom, não o fiz, porque antes disso a depressão fez com que eu abandonasse o curso que eu viria a concluir só anos mais tarde.

Foi em 2001 ou em 2002, não me lembro bem, que decidi retornar e me graduar, finalmente, em História. Impressionante como as mesmas matérias, muitas vezes com os mesmos professores, se tornaram coisas extremamente diferentes quando eu já não era mais tão criança. Naquela época, aos 18/19 anos eu não tinha mesmo a maturidade necessária para entender certas coisas. Sim, há males que vêm mesmo para o bem. Eu já conseguia levantar meu braço e dar minha opinião nas aulas, e apesar do medo e do frio na barriga, e de ter pensado em desistir, enfrentei a classe e dei minha aula sobre a Coluna Prestes.

Passei num concurso público e estava decidida a me dar uma chance e virar professora. Na mesma época, enquanto aguardava a abertura das vagas no governo do estado (ou seria a prefeitura?), comecei a procurar por aulas de inglês. Não tinha nenhuma experiência e procurei por escolas pequenas, onde achei que teria uma chance. A primeira tentativa de apresentar uma aula ao coordenador foi um fracasso. Estava muito nervosa. Ele me deu uma segunda chance me pediu que voltasse. Voltei, de novo enfrentando um medo absurdo, mas não consegui a vaga. Não desisiti e alguns meses depois estava dando aulas na Ready. Obviamente, sem muito apoio pedagógico e sem saber muito bem o que estava fazendo. Mesmo assim os alunos gostavam de mim e eu me sentia cada vez mais confiante.

Foi um semestre depois que entreguei um CV no CNA Penha. A prova escrita, a entrevista com S. (hoje um dos meus melhores amigos) e o pré-treinamento foi tranquilo. Aprendi muitas coisas. No último dia, apresentei meu micro-teaching junto com outros 4 ou 5 candidatos. Foi um pouco mais fácil, por ter uma noção do que era esperado de mim, do que podia ou não fazer. Ainda assim, eu não sei como consegui segurar um pouco o nervosismo que mesmo aparente, não me impediu de fazer aquilo bem-feito a ponto de ser selecionada para o treinamento oficial na matriz da escola.

Mais do mesmo. Nova apresentação de aula, mas desta vez para um público muito, muito maior. Um auditório cheio de candidatos. Minha letra no quadro branco saiu tremida, e o relatório que eu li anos depois, dizia mesmo que eu estava muito nervosa, mas fui aprovada no processo seletivo e passei lá os melhores anos, se não da minha vida, mas da carreira.

Enfim, o medo foi vencido mas sempre senti um friozinho na barriga antes de entrar em sala de aula. Mesmo depois de estar na Cultura Inglesa.

Mas escrevi tudo isso para falar mesmo da minha absoluta falta de vontade de chamar a atenção ao caminhar em direção ao altar da igreja. Eu, que nunca quis me casar, me vejo agora tentando de todas as maneiras chamar menos atenção possível. Difícil, já que tudo "conspira" para que o contrário aconteça. Me caso de noiva, mas o vestido não é branco, branco.... nem merengue. Também não haverá véu ou grinalda (nem ao menos sei a diferença), ou coroa. Também não haverá a "marcha nupcial". Entro na igreja ao som de outra música. Mas isso eu deixo de surpresa. E os outros dilemas, para um próximo post.

N






sexta-feira, janeiro 29, 2010

14 dias

Me caso em exatas 2 semanas. O nervosismo é maior com a chegada da família de I. do que com o casamento em si. Mas isso é assunto para outro post. Como de costume começo esse sem saber exatamente sobre o que escrever. Mas vamos lá...

Ontem limpei o apartamento de A. Foi por isso que dormi lá, aliás, na noite anterior. Não ficou do jeito que eu queria e isso me chateou. Essa é uma das razões de eu não gostar muito desse trabalho doméstico. Parece que nunca fica bem-feito o bastante para me agradar.

De lá fui direto ao shopping onde tinha limpeza de pele marcada. Não gosto de fazer limpeza de pele. Não vejo muitos resultados e geralmente dói um bocado. Ou seja, não vejo vantagem no custo/benefício e ainda por cima não é agradável. Mas como estava no pacote de 'Dia da Noiva' eu me propus a fazer.

Cheguei mais cedo, almocei e comprei umas coisinhas que precisava para a viagem de lua-de-mel. Um terço das coisas que eu sinto vontade de comprar!!

A esteticista se atrasou uns 5 minutos, mas não me incomodou. A conversa dela, sim. Muitas perguntas. Me senti numa entrevista. O que faço, onde moro, como conheci I., o que ele faz, quanto tempo estamos juntos, blá, blá, blá... Quando ela ligou o vapor na minha cara e percebi que não precisava mais responder tantas perguntas me senti aliviada. Aí vem aquele aperta daqui e aparta de lá que é mais do que desconfortável. Não foi tão ruim quanto eu me lembrava ter sido da última vez (há sei-lá quantos anos atrás). O pior de tudo foi ouvir todas as explicações sobre o que ela faria ou deixaria de fazer começarem por "Noivinha". Pensei em mil maneiras de pedir que ela não me chamasse assim, mas todas me pareceram um bocado mal-educadas. Me calei. Depois ela me encheu o rosto com alguma máscara e disse que eu ficaria ali por 20 ou 30 minutos. Ela sairia, apagaria as luzes e me pediu para relaxar. Ao fundo um daqueles CDs com músicas malditas de relaxamento. Tipo, cachoeiras, pássaros e outras coisas irritantes. Relaxar? Eu? Bom, pensei em todas as mil coisas que eu tinha pra fazer, e todas as preocupações com o casamento, e achegada de I. e sua família nesse caos que é São Paulo (e a minha "família"),  e os minutos em que passei ali "relaxando" me pareceram horas de tortura. Terminada a sessão, voltei caminhando pra casa com a chuva fina de final de tarde.

Em casa, vi que tinha um email de I. me dizendo que ia sair e portanto só o encontraria online mais tarde. Tentei ficar online um tempo, dei uma organizada rápida na bagunça do meu armário, mas o cansaço me venceu. Deitei no sofá e liguei a TV. Só falei com I. um pouco mais tarde, no telefone. Fui para cama cedo, com muitas dores pelo corpo.

Hoje me programei para não fazer absolutamente nada. Acordei por volta das 8 da manhã. Queria sair e caminhar, me exercitar um pouco, mas já chovia. Tomei meu café da manhã e fiz as unhas da mão. Passei um tempo na internet e depois de almoçar resolvi assistir um filme, The Curious Case of Benjamin Button. Assisti só uma hora e acabei cochilando no sofá. Termino mais tarde.

Agora estou aqui, espero I. jantar para falar com ele no MSN.

Feliz hoje. Ultimamente tenho alterado dias de feliciade com outros de muitas saudades e preocupações.

E amanhã, tem minha "despedida de solteira" no St. John's. Bom, nada mais do que meu grupo de amigos para uma cerveja. Bem a minha cara.

N

domingo, janeiro 10, 2010

Os 8 primeiros dias

Cheguei em SP no último sábado. Ao encarar a fila do controle de passporte, a primeira impressão/sensação foi a daquele calor abafado típico daqui.
A viagem foi tranquila, e pela primeira vez não passei mal ao voltar. Talvez por saber que não é uma volta.
Minha mãe, A., A., A. e C. esperavam no desembarque.
Direto pra casa. Nenhum sinal de que eu havia passado um ano longe. Em quinze  minutos já me senti perdida e fora de casa. Ou seja, o que eu sempre senti aqui! É, estava de volta em 'casa'.
A semana passou corrida com preparativos para o casamento. A burocracia maldita de se casar com um estrangeiro. Haja  visistas  a cartórios e afins.
Desde então, a única coisa boa que fiz foi tomar milkshake de ovomaltine do Bob´s.
Estou sem celular, sem telefone e internet em casa. Tenho saudades de I.
N